Há algum tempo, tenho ouvido muitas pessoas falarem sobre a importância de ser “politicamente correto” ao escrever um texto. Mas, afinal, o que é isso? Desde que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começou em 2013 a zerar as redações e até a descontar pontos de candidatos que escreviam textos com argumentos racistas, homofóbicos, xenofóbicos e com outros tipos de discriminação, as pessoas começaram a ficar mais atentas às formas de colocar as ideias no papel. Por isso, ser politicamente correto é expressão usada para evitar que a linguagem expresse preconceitos, o que eu acho muito justo, uma vez que é importante combater esse tipo de atitude e o uso de um vocabulário considerado “pesado” e negativo em relação a grupos sociais específicos.  

O “politicamente correto” está muito ligado ao que se considera “ferir os direitos humanos”. Como exemplo, posso citar o uso de argumentos que defendam tortura, mutilação, execução sumária e qualquer forma de “justiça com as próprias mãos”, além da incitação a qualquer tipo de violência motivada por questões de raça, etnia, gênero, credo, condição física, origem geográfica ou socioeconômica e a explicitação de qualquer forma de discurso de ódio. Mas essa ainda é uma polêmica, pois, para muitas pessoas, se vivemos em um país democrático e que prima pela liberdade de expressão, não seria uma incoerência cercear o direito de expressar o pensamento até mesmo em uma redação? Isso foi o que o Supremo Tribunal Federal (STF) acabou decidindo, no final de 2017, quando indicou que os candidatos que “ferissem” os direitos humanos não deveriam ter seus textos zerados no Enem.

Mas fique atento, pois, mesmo sem ser motivo de anulação, o desrespeito aos direitos humanos ainda pode tirar pontos dos candidatos no Enem. Isso ocorre porque a Competência 5, avaliada pela banca corretora na redação dos candidatos, envolve “Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos“, principalmente quando determina: “É necessário, ao idealizar sua proposta de intervenção, respeitar os direitos humanos, ou seja, não romper com os valores de cidadania, liberdade, solidariedade e diversidade cultural”.

Quando pensamos, então, em falar e escrever de forma politicamente correta, devemos pensar em inúmeros aspectos a respeito do funcionamento da linguagem e, por isso, não posso deixar de citar Aristóteles que, em sua obra Retórica, indica que aquele que fala ou escreve cria uma imagem de si mesmo. É claro que não é o uso de eufemismos (figura de linguagem que suaviza o teor das informações) que tirará as expressões preconceituosas das redações, esse recurso só atenuará a linguagem usada, pois as palavras, na verdade, não carregam sentido depreciativo isoladamente, mas fazem parte de um discurso.

Por conseguinte, para podermos viver em um mundo melhor, não devemos usar termos que firam os outros. É importante usar palavras que não revelem preconceitos, nem produzam discriminações, ou seja, que não gerem descrédito de nossas ações. Já vivemos em uma sociedade tão violenta que não precisamos de mais textos que a incitem em nosso dia a dia, pelo contrário, se queremos construir uma sociedade mais civilizada, devemos respeitar os outros e começar pelas palavras que escolhemos para transmitir nossos bons pensamentos. Por isso, elabore suas redações em concursos públicos e vestibulares de forma politicamente correta, para que você também seja avaliado como uma pessoa digna de respeito.

O que é ser “politicamente correto”na redação?

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