Por que é importante saber a Divisão da Gramática?

Atualizado: 20 de Dez de 2020



O que eu vou conversar com você hoje é muito importante.


Quero introduzi-lo(a) no mundo da GRAMÁTICA, mas para isso é preciso que você saiba como se divide a nossa Gramática Normativa.

Quantas vezes você dever ter se deparado com uma questão em uma prova que pedia para você julgar os itens ou responder de forma subjetiva, considerando os aspectos morfossintáticos e você ficou sem saber de onde partir para a resposta?


Pois é, é preciso saber do que trata cada parte da gramática para não ficar perdido no meio de tantos questionamentos.


Chamamos de Gramática Normativa porque ela tem normas a serem seguidas e, sem elas, seria realmente impossível aprender nosso idioma.

A gramática tradicionalmente se divide em:

  • semântica

  • fonética

  • morfologia

  • sintaxe

  • estilística.


Podemos resumir esses conceitos da seguinte forma:


Vamos começar pela SEMÂNTICA?

Essa é a parte da gramática que estuda a significação das palavras.


Trata das relações de significados entre os termos no discurso em determinados contextos.


Estudam-se, por exemplo, a sinonímia, a antonímia, a homonímia, a polissemia e a paronímia, em outras publicações falarei para você sobre isso com mais detalhe.


É na parte da Semântica que também se estuda, por exemplo, a diferença entre “despercebido” e “desapercebido”.


“Despercebido” significa sem perceber, sem notar e “desapercebido” significa desprevenido.


Além disso, a Semântica está muito ligada à parte de ortografia, visto que existem palavras muito parecidas na grafia e na pronúncia, mas que possuem significados diferentes, como ocorre com a palavra alisar, com s, que significa tornar liso, e que, se for escrita com z, é o nome que se dá à moldura da porta.


Outra parte da Gramática Normativa é a FONÉTICA ou FONOLOGIA. Ela trata do estudo dos fonemas (sons) de uma língua.

É nessa parte que se aprende a pronunciar bem as palavras, para não cometer uma “silabada”, nome que se dá ao erro de pronúncia ou prosódia.


Ela ocorre quando se erra a pronúncia de algumas palavras, como Prêmio Nobel, que deve ter pronúncia forte na última sílaba, e o caso da palavra rubrica, em que a sílaba mais forte é a penúltima.


Quando se sabe pronunciar adequadamente cada palavra, não se tem problema no que diz respeito à acentuação, cujas regras dependem da posição da sílaba tônica (a sílaba que deve ser pronunciada com mais força em uma palavra).


Vamos trata agora da MORFOLOGIA, parte da gramática que se ocupa da estrutura e formação dos vocábulos, assim como do estudo das classes gramaticais.

Saber bem a estrutura das palavras levará você a aprender a escrever bem e saber distinguir as diversas classes gramaticais.


Cada classe gramatical tem uma função específica no texto e, se hoje você tem medo da análise sintática, é porque não aprendeu adequadamente as classes de palavras.


Um exemplo bem claro são os verbos que sempre causam dúvidas no dia a dia.


Muitas pessoas confundem, por exemplo, os verbos VER e VIR, principalmente no futuro.


As pessoas dizem “Quando eu ver você, darei um abraço”, quando o certo seria ”Quando eu vir você”.


O verbo VIR nesse mesmo tempo verbal seria usado corretamente da seguinte forma “Quando eu vier do Pantanal, trarei muitos peixes”.


Agora, a parte que é considerada um verdadeiro “bicho papão” para muitas pessoas, é a SINTAXE.

O estudo da Sintaxe possibilita aprender as funções que as palavras podem assumir nas orações e frases, dependendo da posição que ocupem e com que termos estabelecem relações de subordinação e coordenação. 


É nessa parte que você aprende sujeito, predicado, complemento nominal e outros termos da oração.


A partir dessas relações, pode-se observar o termo modificado ou modificador, determinado ou determinante.


A morfossintaxe é, portanto, a análise das funções dos vocábulos na parte da Morfologia e da Sintaxe, decorrentes do contexto em que estejam inseridos.

Assim, diz-se, por exemplo, que o núcleo do sujeito é sempre constituído por substantivo ou palavra substantivada ou, ainda, que o termo “ótimo” é um adjetivo por modificar o substantivo “livro” em “Um ótimo livro muda a vida das pessoas”.


Nas frases, a seguir, vou exemplificar a análise morfossintática.

  1. O forte vencerá o fraco.

  2. Um líder forte modifica sua comunidade.

  3. Os ventos sopram forte.

Ao se analisar o vocábulo “forte” em 1, 2 e 3, observa-se que, semanticamente, as três palavras apresentam certa unidade, mas, funcionalmente são distintas.


Em 1, "forte" será núcleo do sujeito simples.


Em 2, "forte" deixará de ser núcleo para ser um termo que modifica esse núcleo, será então um adjunto adnominal que restringe o sentido da palavra modificada.


E em 3, o termo "forte", agora não está mais associado ao substantivo, passa, então, a modificar o verbo soprar, para expressar uma circunstância adverbial.


Lo­go, para o estabelecimento da função sintática e da classificação morfológica do vocábulo “forte”, não basta apenas o conhecimento do significado da palavra descontextualizada; é preciso, fundamentalmente, que se analise o termo, estabelecendo as relações entre a palavra e os vocábulos, dentro do texto e do contexto.

Calma, que com o tempo você vai aprender tudo isso direitinho, hoje eu só quero que você compreenda a divisão da gramática.


Por último, temos a parte da ESTILÍSTICA.

As gramáticas tradicionais raramente tratavam dessa parte, pois são recursos linguísticos a que muitos autores recorrem para tornar a linguagem mais rica e expressiva, revelando a sensibilidade de quem os usa.


Trata, principalmente, das figuras de linguagem e da parte de versificação.


Por ser uma parte subjetiva, a estilística, muitas vezes, não segue as regras da Gramática Normativa.


Agora que você sabe como se divide a gramática, ficará mais fácil prosseguir seus estudos em Língua Portuguesa e obter sucesso.